sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Trem-bala a hospitais

A quem interessa uma obra de 63,4 bilhões de reais para um trecho de 590,4 km entre o Rio de Janeiro e São Paulo para construção de uma linha férrea de trens de alta velocidade já que temos as seguintes alternativas de transportes: aviões; ônibus; motos e carros que fazem o mesmo percurso? Repetindo a mesma pergunta acima em relação aos nossos hospitais públicos que só nos restam, apenas, duas miseras alternativas: hospitais públicos sucateados, superlotados sem estruturas: física, material e humana para atender tanta demanda que infelizmente é crescente, os particulares, alguns, com equipamentos ultramodernos, mas acessível apenas as pessoas que tem planos de saúde caros, pois dependendo do plano de saúde escolhido nas operadoras os hospitais de grande custos não o atende.
Será que os interessados nesta obra de grande proporção já colocaram a mão na “consciência” e não viram as despesas que essa obra acarretará. Será que não pensam em nenhum momento em todos nos trabalhadores que pagamos uma carga tributária draconiana no comprometimento do orçamento público e no bem comum de toda uma nação que não se resume a um pequeno trecho entre dois Estados da Federação. Será que, não se espelharam nos prejuízos de nove bilhões de dólares que o consórcio eurotunenel obteve na construção de um túnel que passa por baixo do Canal da Mancha ligando França e Inglaterra que custou mais do que o dobro do orçamento inicial. Temos ainda neste meio a questão ambiental como desapropriações devido à velocidade de 350 quilômetros por hora dos vagões que produzirão um deslocamento de ar enorme que danificara construções próximas. Quantos hospitais seriam construídos ou reformados, com a compra de novos aparelhos, contratações de médicos, aquisição de remédios para as farmácias de alto custo. Mas medidas humanitárias como saúde pública não dão projeção nem, muito menos, votos a ninguém.
Tudo depende de um referencial se fosse consultado uma pessoa que dorme em uma fila em frente a um posto de saúde ou hospital para marcar uma consulta que nem sempre se consegue. Pergunte a uma pessoa que tem um parente internado em um hospital público o que ele prefeririam, um hospital melhor ou um trem de alta velocidade. Muitos nem se dão conta do que seja um trem-bala. Quando os nossos gestores deixarem a vaidade, o orgulho e ganância pelo poder de lado e pensarem no bem comum de todos, aí sim, aquela logomarca governamental que diz assim: BRASIL UM PAÍS DE TODOS, será realmente verdadeira.
Evaldo
30/12/2010

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